"Então você sentou ao meu lado, meu corpo começou a arrepiar, senti o calor da sua pele e o ar estava com o seu cheiro. Você não disse nada, pegou a minha mão e colocou no meio das suas; nunca fui tocada por mãos tão macias e precisas. Eu queria te olhar e falar tantas coisas que nem sei explicar. Parecia que você estava me entendendo, não fez perguntas. Sua mão percorreu a minha nuca, depois meus cabelos e sua boca acabou encontrando a minha. Nos beijamos um longo tempo e eu coloquei a cabeça no seu peito. Não me sentia confortável, mas me sentia segura. Me sentia bem, mas levemente confusa. Ficamos quietos, havia muito para ser dito. Durante algumas horas o silêncio falou por nós. E ele foi quebrado. Tínhamos que resolver as nossas vidas. Minha barriga estava cheia de borboletas e eu pude ouvir o seu coração. O seu olhar era terno, quis te encher de cuidados. Te abracei de um jeito que sua cabeça ficou no meu ombro e seus cabelos ficavam no meio das minhas mãos. Seu riso foi solto e você disse que iria acabar dormindo; isso não podia acontecer, pois você queria ficar acordado me observando. E foi então que eu descobri que os seus olhos contam histórias. Já era noite e eu tive que ir; queria ter ficado, mas fui. A despedida foi estranha, cada abraço foi demorado, estávamos prevendo; será?"
Clarissa Corrêa





