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domingo, 15 de março de 2009

Medo de olhar.

Medo.
Medo de tudo o que eu posso sentir quando eu vejo. Sabe, parece que não, mas ver também é sentir.
Quando você assisti um filme trágico na televisão? Você sente.
Quando você vê a foto de quem você ama? Você sente.
Quando você vê estrelas lindas no céu? Você sente.
E quando você não vê e não sente?

Tenho medo daquela frase: o que os olhos não vêem, o coração não sente.
Me dá medo. Muito medo mesmo. Sabe aquelas mentiras, que não te fariam mal nenhum se você não as soubesse? E aquelas revelações ocultas que você sempre quis saber mas, quando sabe, pede pra nunca ter tido consciência delas. Sabe, eu tenho medo dos meus próprios olhos.

Tenho medo de ver o que eu não quero e de não ver o que eu quero. E muito mais; tenho medo de não ver, só olhar.

Assisti esses dias, com o Mega, o filme "Ensaio sobre a cegueira" ou "blindness" pros mais íntimos. E obtivemos (esse verbo está conjugado certo) a seguinte reflexão:

Existe duas formas de usar seus olhos: enxergando (vendo além) ou apenas olhando. Há pessoas que apenas olham. Elas nunca pararam pra evr ou enxergar o que está ali.
Sabe aquela praça que você sempre passa na frente dela, de carro, a pé ou de ônibus? Você já reparou na árvore linda que existe nela? Pois é. Uma vez eu estava andando pelas redondezas da matriz, e o Mega me disse: "Está vendo essa árvore? Quantas vezes você já prestou atenção nela? E quantas vezes você passou batido por ela?". Pois é. Depois desse dia, comecei a enxergar, ver as coisas que estavam no meu caminho.
As estrelas... São tão bonitas! Mas nessa poluição só conseguimos ver a Sirius. Que está lá, toda noite. Mas ninguém presta atenção nela. Quantas vezes você contemplou o céu hoje? Quantas vezes você reparou como o café fica com um tom bonito enquanto se mistura ao leite? Quantas vezes você reparou que aquela mosca chata que te enche a paciência possui tubos de malpighi, um órgão excretor totalmente diferente do seu? Você já reparou que o reboque da parede parece com sorvete de baunilha, e que dá até vontade de comer? Você já reparou que o chocolate que você come te deixa feliz se for consumido em pouca quantidade? Você já imaginou como seria o mundo se o Sol fosse azul?

É, ver é uma dádiva. Mas não aproveitamos isso.

Por isso, definitivamente, quero perder meu medo de ver. Quero perder o meu medo de ver, e apenas ter medo de olhar. Eu, agora, tenho medo de olhar. Olhar aquelas mentiras, aquelas revelações, aquelas traições. Olhar aqueles absurdos, aquelas pessoas passando fome. Eu quero ver, enxergar. Só assim poderei ser justa comigo mesma.

Sabe qual é o problema do mundo? As pessoas esqueceram o que significa a palavra justiça, e acham que ser justo é apenas uma questão de ponto de vista.

E sabe qual o problema da humanindade? Ter medo de enxergar, e apenas querer olhar.

Olhar superficialmente é a mesma coisa que ser cego.



2 comentários:

  1. Eu olho o céu! XD! Filosofo? kkk, não...
    Post lindo amor! Te amo pra sempre eu juro!

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  2. Curioso como você percebeu isso tão antes de mim e, quando eu percebi isso, percebi por causa de uma "lição de casa". Aproveita enquanto você não tem de descrever as formas e linhas e cores e movimentos e texturas do que você vê, para criar uma peça totalmente nada a ver com isso...

    Lê Laranja Mecânica, cobre a parte da justiça. É um ótimo livro. Mas cuidado, que o filme come o último capítulo.

    ;*

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Um grande beijo da Gabi :)